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domingo, 1 de janeiro de 2012

2012


2012 será, sem dúvida, um ano árduo de muito trabalho, conclusão de curso, noites em branco, psoríases estourando e dentes apertando. 

Terei de buscar as forças que eu não tenho para sobreviver a 2012. Serão muitos desafios, infelizmente não poderei agradar todo mundo e mesmo que eu não agrade a absolutamente ninguém, tenho que ser corajosa para seguir, independente do que aconteça. 

Tomar decisões para uma geminiana com ascendente em libra não é nada fácil. E esse será um ano que me exigirá tomada de decisões, força e coragem.

Respiro fundo, peço ajuda a Deus e sei que tudo posso. 

Vamos lá...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Tranquilo?

As pessoas são todas diferentes e  
o que pode ser bom para uma, 
pode também ser péssimo para outra. 

Ninguém nunca terá razão de nada.
 Haverá sempre alguém para discordar.
 Julgar, sem saber. 
Ou falar mal por aí...

Então, vamos parar de nos preocupar 
com o que os outros estão fazendo
 ou pensando,
 pois a vida é uma só 
e ela tá doidinha para que você a viva 
sem esquentar com pequenices, 
porque isso não vai fazer mal a ninguém, 
além de você mesmo.



domingo, 11 de dezembro de 2011

Sobre mim, por Saramago

"Gostas de mim porque me vês todos os dias. Não gostas de mim pelo que sou, gostas pelo que faço ou não faço. Não sabes quem sou."

José Saramago

sábado, 10 de dezembro de 2011

O coisas & casos na TV

Para minha surpresa, após a postagem "Jornalismo Sensacionalista" feita aqui no meu abandonado blog, quase sem visitas e onde eu escrevo de forma totalmente descompromissada coisas que talvez nem interessem a ninguém, além de mim mesma...

O apresentador Samuka resolve, junto com sua equipe, divulgar o meu blog ao vivo no programa Correio Verdade, exibido no dia 20 de outubro de 2011... 

Assistam o vídeo no youtube.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Roubo na praia

Parece até brincadeira, depois de quase 1 ano, isso mesmo, 1 ano sem ir a praia, eu finalmente fui.

E a escolhida de sempre é a praia de Manaíra, em frente ao hotel Hardman.



Todos sabem o quanto está quente em João Pessoa, eu venci minha vergonha de estar com a pele toda manchada de uma Psoríase em processo de cicatrização e resolvi mergulhar, depois de mais de 2 anos sem entrar no mar.

Parecia criança com medo das ondas fortes e parecia que era a primeira vez. Ah, meu namorado foi comigo. E nós deixamos as coisas (a minha bolsa e a dele) na areia: o erro.

Enquanto eu me recuperava de um caldo, vi a cena: 

Um indivíduo moreno, magro e de camisa azul pega a bolsa do meu namorado.

Eu: "Victor, aquilo na mão daquele cara é a tua bolsa?" Segundos depois, sem resposta e observando sem acreditar.

Eu e meu namorado juntos concluímos: "É!!!"

Eu: "Corre Victor, corre, dá tempo de pegar ele, cooooooorre!"

Meu namorado correu, mas ao chegar na calçada ficou parado pois não viu mais o miserável. E eu vendo o cara saindo de bike, lá da areia e revoltada porque Victor ficou parado e olhando para o lado contrário de onde o animal estava indo... (Porque, meu Deus?)

Na bolsa de Victor tinha as roupas dele, carteira de estudante, passe estudantil, 10 reais e um celular ultra/ mega/ power/ revolucionário e de última geração, mas que fará muito falta, claro.

Da minha bolsa, ele só levou uma necessaire com protetor solar, creme, pente, meu batom da moda (Oh meu Deus, eu vou chorar...), uns 12 reais e meu incrível passe estudantil de todos os dias.

Totalizando, o demente levou: uma bolsa da Adidas que ele deve vender por no máximo 50 reais; um celular Nokia que ele deve vender por aproximadamente 50 reais também, se tiver sorte; dois passes estudantis que serão bloqueados amanhã, então tomara que ele tenha andado muito de ônibus hoje para aproveitar as passagens e os nossos suados "vintxe reaix". Ou seja, valeu muito a pena... #ironia.

Não sei se o roubo foi mais revoltante ou o trabalho das "gloriosas" Polícia Militar e Civil do Estado da Paraíba. Meu avô, que Deus o tenha, admirava tanto os PM's... Coitado, se foi e eu não tive tempo de contá-lo a verdade: precisa da polícia, pra você ver!

A Polícia é linda, bela e majestosa. Tô falando isso, para que ela se torne assim, por que todos nós sabemos que não é assim, é horrível generalizar, porque existem raríssimas exceções mas a maioria dos policiais são meio que acomodados com a situação, sabem que esses caras que praticam esses furtos são sempre os mesmos e que se eles prenderem, no outro dia eles estão soltos. Eles nem vão mais atrás dos bandidos. Verdade seja dita.

O policial civil ainda teve a coragem de falar: "ah, já fez meia hora que o fato aconteceu? Ele já tá é longe..."
"Minha senhora, a senhora já entrou dentro do bairro São José? É enorme, não tem como fazer buscas lá..."
"Infelizmente somos policiais civis e essa questão de busca é só com a polícia militar mesmo..." Ou seja, nós policiais estamos dando uma volta pela orla e paramos só para ouvir vocês, mas vamos continuar com o nosso agradável passeio, dê adeus as suas coisas, pois elas já estão longe e nós não podemos fazer nada.

Eu sei que as coisas estavam longe, mas pra quê serve a polícia, então? Para só chegar (bem) depois do acontecido, ouvir sua versão e receber o dinheiro no fim de mês? E no nosso caso, nem chegaram.

É complicado usar essas palavras, mas só penso nelas, quando penso em polícia: má vontade e incompetência.

Do nada, aparecem dois policiais militares de bicicleta que pararam, escutaram a gente e seguiram no agradável passeio. Enquanto isso, esperávamos a viatura do 190 que ficaram de nos mandar já fazia exatos 40 minutos.

O tempo que esperamos a viatura, foi o tempo que um grupo de 5 jovens foi assaltado na parada de ônibus, próxima ao restaurante Flash, bem na nossa frente. Ou seja, é o fim dos tempos. Fujam para as colinas!

O engraçado são os delinquentes que praticam esse tipo de furto, eles tem sempre as mesmas características e curtem as mesmas roupas "estilosas" e típicas da racinha deles... É um esteriótipo? É. E aqui em João Pessoa é fácil de identificar: camisas geralmente folgadas e falsificadas da puma, playboy, ou de botão com estampas esquisitas ou florais; bermuda tactel geralmente grande para o tamanho do infeliz; bigodinho ridículo fino e alguns usam boné com aba necessariamente reta, além do linguajar e andar que também são "maravilhosos" e por fim, a expressão dos animais, não nega a intenção deles.  É deprimente.

Estou revoltada e decepcionada com o trabalho (ou falta dele) da polícia. A esperada viatura, nem chegou no lugar combinado. Graças a Deus, uma mulher bondosa nos deu 5 reais para pegar o ônibus.

Dormi um pouco a tarde e sonhei que dava uma voadora no rapaz e depois o sufocava. Pena que foi só um sonho. Acordei e me senti uma completa vítima dessa porra toda. Senti a sensação de impotência que todos que já foram roubados um dia, já sentiram e pense como é horrível, dá vontade de fazer justiça com as próprias mãos, juntar um grupo de pessoas vitimadas e sair matando todos os bandidos.

Não vem falar que é falta de emprego e de educação, que não é. Você pode nascer dentro de um cabaré, mas se você não quiser ser prostituta, ninguém vai te obrigar a ser.

Acabo meu desabafo por aqui, espero que surta em algum efeito positivo e que nunca aconteça com você.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Jornalismo Sensacionalista: tendência a divulgar notícias exageradas ou que causem sensação.

Tenho que deixar registrado o meu ponto de vista sobre uma mesa redonda que aconteceu ontem na UFPB com os principais jornalistas e apresentadores de programas jornalísticos/policiais/sensacionalistas/o que  você preferir, aqui do Estado. O tema foi Jornalismo Sensacionalista.



pic.twitter.com/KDaWeBL1

Foto: Jean Carlos (@jeancarlos_pb)

Fiquei absolutamente decepcionada com a postura dos alunos que assistiram a mesa redonda. Para início de conversa, independentemente de gosto, deve-se respeitar. Os alunos não respeitaram. Protestaram e ninguém lhes tirou esse direito, foram ouvidos, receberam atenção mas não respeitaram a vez do outro. Como foi dito lá: "Protesto e esculhambação são coisas diferentes."

Alguns foram tomados por uma ira, uma afobação que não era normal. Foram ridículos e eu me senti envergonhada por estar no grupo dos "alunos". Beleza, você é universitário, subentende-se que você tenha um nível maior de conhecimento e informação, mas o desrespeito que aconteceu hoje, com relação a um apresentador exclusivo, fez com que tudo o que se espera de um "universitário" fosse anulado ali. Na minha opinião, baixou ainda mais o nível e sujou o curso de jornalismo pela postura que alguns dos futuros profissionais da área tomaram com relação ao fato.

Quero deixar bem claro que eu não estou aqui para defender nenhum apresentador ou jornalista e que eu não gosto e nem assisto o tão falado programa "sensacionalista" do Samuka. Mas não é por que eu não gosto, que eu vou fazer um protesto e falar: "Samuka, maconheiro arruma outro emprego!" Puts, foi altamente revoltante para mim. Ainda mais, por já ter visto no meio do grupo que protestou usando essas palavras, pessoas que eu sei que são usuárias de maconha. Quer dizer, olhar pra si que é bom, né?!

Acho que pensam: "eu vou é fazer protesto, ser revolucionário, não assistir aula, pintar a minha cara e aparecer...". Protestem caramba! Continuem nessa jornada, na maioria das vezes inútil, mas respeitem, vocês fazem parte da academia e por esse motivo devem protestar como acadêmicos e pessoas civilizadas, o que eu vi ontem foi digno regresso ao ensino fundamental, tão longe de ser do nível "superior", essa é a verdade.

Também não quero ser a dona da razão, como muitos ontem pareceram o tempo todo (querer) ser, esse blog aqui é meu e eu falo o que eu quiser, quem não quer ler: fecha a página. Assim como quem não quer assistir um determinado programa porque te "desrespeita". É só mudar o canal... Você tem LIVRE ARBÍTRIO. A não ser que você queira ser "desrespeitado", aí já é um problema seu e não de quem apresenta o programa.

Se vocês raciocinarem junto comigo, não precisa nem ser acadêmico, para entender...#ironia. Se nós, juntos não assistirmos mais determinado programa, o que irá acontecer? Não haverá mais investimento publicitário no horário do programa, certo? Não havendo mais publicidade, o que acontece? Ele acaba. 

Nossa, que fácil não?

Mas, enquanto houver pessoas que assistam e financiem esse ciclo vicioso o programa vai continuar do jeito que está e quiçá, até pior e com ainda mais audiência.

Não serão mesas redondas com jornalistas descontentes e estudantes altamente descontrolados metendo o pau no trabalho de um apresentador apenas, dentre tantos outros jornalistas hipócritas que praticam do mesmo trabalho do apresentador em questão e ainda falam dele, que vai pressioná-lo e fazê-lo desistir do seu trabalho.

Definitivamente, que papelão hoje, hein?!

Devo admitir que o que o próprio Samuka, sem diploma de jornalista, disse, foi a parte mais sensata de toda a discussão em torno do jornalismo sensacionalista: 

"Eu nunca disse que sou jornalista. Eu sou um apresentador."
"Porquê vocês só falam de mim? Só eu sou o sensacionalista?" Essa eu respondo: Não, Samuka. É que os outros que também são, são hipócritas, além de a culpa toda ser do seu atual lugar na audiência (falo em audiência pois essa briga só acontece única e exclusivamente por ela, porquê se os programas ditos não-sensacionalistas fossem os primeiros lugares, eles nem se preocupariam com os pobres sensacionalistas que estariam atrás deles).
"Eu aqui, me vi como um saco de pancada." E como foi, meu querido. Fiquei do seu lado, depois que vi como você foi tratado. Não trataram do assunto, trataram da pessoa. Não foi o tema do jornalismo sensacionalista que ficou em evidência, mas sim Samuka que é o "sensacionalista" de maior audiência.

E nesse trecho, Samuka falou o que na minha opinião acadêmica, se é que isso tem algum valor depois do exemplo acadêmico dado hoje, teve mais valia durante todo o decorrer dos discursos: "O problema não está em mim. A violência só acontece porquê os "maletas" (marginais) não tiveram uma boa educação. O problema é político, como a falta de emprego, educação e assistência que o povo precisa."

Isso, resume toda filosofia que toda essa baboseira deveria ter desde o princípio. Discute-se aqui, um costume antigo. As pessoas gostam, se atraem e assistem tragédias. Se em pleno século XXI ainda temos o mesmo comportamento que era tido na Roma Antiga? Pode não ser geral essa preferência, mas que é real... Ah, isso com certeza é, prova disso são os jornais locais da Globo de todo o País apanhando na audiência por conta dos programas polêmicos. 

É normal.

Uma vez eu estava em um ônibus e houve um acidente envolvendo um veículo e uma moto em frente ao ônibus. Só foi preciso um cidadão falar:

-"É sangue."

Que todos os passageiros do ônibus (exceto eu que se vejo sangue de tão perto passo mal) em pura sincronia se levantaram rapidamente para ver o tal "sangue". Acredito que seja involuntário, que seja um espécie de curiosidade natural das pessoas. 

Nesse caso, tem a quem culpar senão a elas mesmas por essa curiosidade? Oh céus, elas se atraem pelo que lhes trazem sensações e o que tem de errado nisso? Por acaso, você fica com alguém sem sentir nada por ele(a)? Coisas boas e ruins nos trazem sensações, nos cabe decidir o que queremos sentir ou não. Muitas vezes nem decidimos já que sensação está mais ligada ao emocional e não racionalizamos para sentir nada, simplesmente sentimos. Mas você que decide o que você vai assistir e se é a sensação de um programa polêmico que você quer, não há nada que te impeça de fazer isto. Julguem o programa ruim e o apresentador despreparado, ou não.

Opinião é para ser dada e a minha foi exposta aqui, se você quer expor a sua sobre esse assunto, posta um comentário que eu terei prazer em saber que existem pessoas pensando como eu ou que existem pessoas que não pensam como eu, mas que eu vou verdadeiramente RESPEITAR. Afinal, quem disse que precisa descer o nível para mostrar que está certo? Assim você acaba perdendo a razão, amado (a).

Outra coisa: não é o que as pessoas dizem, mas como elas dizem... Samuka pecou por não saber dizer, porque argumentos ele tem e não são poucos, ele poderia, de fato, ter se saído melhor.

É tudo lamentável. Não vou estender mesmo achando que eu tenho mais a dizer, são 02:02 da manhã e eu levanto às 07:00.



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A morte.

Estava me devendo essa postagem. Precisava colocar pra fora de alguma maneira o que eu tento ser forte e esconder dentro de mim. 

Não existe sentimento que descreve qual é a sensação de perder alguém. 

Nunca havia perdido ninguém da minha família. E estranho foi há alguns dias atrás, quando eu estava passando em frente a uma Central de Velórios comentei com meu namorado: "Acho que alguém vai morrer. Tô com essa sensação, faz uns dias...". 

Não! Eu não sou adivinha e não previ isso. E aí meu namorado me diz: "Caramba, eu também tô com essa sensação."

Nessa mesma semana, eu iria ver o meu avô pela última vez. E nem imaginava que ele iria tão cedo. 




Meu avô, era uma figura. Tinha 78 anos e não tinha absolutamente nenhum problema, além de ser um pouco 'gaga' por causa da idade, normal. Mas tirando o humor inconstante, ele era um ser humano maravilhoso.

Vô Antônio ia ao Parque Solón de Lucena (Lagoa), era o seu divertimento. Sempre, depois do almoço, ele se perfumava, penteava seus cabelos brancos e ia feliz pegar um ônibus para o seu point de todos os dias: o banco, em frente as Lojas Esplanada. 



Vô, sempre mulherengo, me dizia que ia até a Centro porquê gostava de ver as mulheres bonitas. Gostava de pegar os panfletos das lojas só para distribuir e pegar nas mãos das moças enquanto as entregava, e quanto mais novinhas, melhor.

Outro comportamento marcante do meu avô, era a pontualidade. Perdi as contas de quantas vezes ouvi dele um: "Olha a hora, Mayara!" Chegava a ser irritante. Ele sempre lembrava dos horários e compromissos de todos os que estavam próximos a ele. Às vezes, quando por acaso eu adormecia lá na casa dele no meu horário de almoço, ele me acordava aos gritos, me chamando de todo nome que não presta, só porque eu corria o risco de chegar atrasada. Vô, como o senhor deve me esculhambar onde quer que esteja, até hoje... Rs.

Me lembro de como ele ria de mim, quando eu tinha que repetir as coisas gritando 3 ou 4 vezes para ele conseguir ouvir. 

Me lembro dele preocupado com quem irá ficar com a herança mais preciosa dele: "os fogos". É... Seu Antônio ainda tinha tempo para vender fogos no São João. E como ele já não tinha estrutura para passar trocos corretamente, dentre outros problemas, ele falava o tempo todo: "Quem vai ficar responsável pelas vendas dos fogos? Quem vai enfeitar o meu bazar (que era o local onde os fogos ficavam)?". 

Ah, mas tinha uma coisa mais preciosa que os fogos: o baú. Esse baú era tudo pra ele. Quando por acaso alguém fosse limpar o local onde era guardado o baú, aí o bicho pegava... Ele ficava enfurecido, porquê achava que iam roubar o baú cheeeeio de dinheiro (peeeense, rs) dele. 



Lembro-me de quando ele se declarou para minha vó, apesar de todas as esculhambações diárias, que sempre fizeram parte do casamento deles... Meu avô, em seu ato de romantismo, disse: "Ivone... O meu baú é seu e o seu vestido é meu, porquê o que é seu é meu e o que é meu é seu." Como eu ri... Ele achava que o vestido era importante o bastante para minha vó, como o baú era pra ele. Mas aquela era a maneira dele ser romântico, e eu aprendi a enxergar o comportamento das outras pessoas, relativizando o contexto delas. E meu avô até que era bem moderno para o contexto onde ele nasceu.

Eu estudei 7 anos da minha vida em um colégio militar, além de ser filha de um militar e de ter tios militares. Por esses motivos, vô dizia que já era para eu e a minha irmã sermos tenentes há muito tempo. Como era engraçado, quando meu avô falava sério comigo, me dizendo que era o único caminho bom para mim, que eu tinha que ser PM, porquê era muito bonito uma mulher PM e era a única profissão que prestava. Era nítido o sinal de preocupação no rosto de vô, quando eu ria dele enquanto ele falava sobre isso. Ele tinha extrema admiração e respeito por policiais. Imagino como ele deve ter ficado feliz ao saber que o cortejo do seu enterro foi feito com escolta militar.



Só tenho boas lembranças, só tenho saudades.

Ele começou a se internar com frequência no hospital, e da última vez, foi por não ter urinado há pelo menos umas 24 horas, além de estar muito abatido. Ele estava mais magro do que o normal, muito desidratado e fraco, pois já não se alimentava como antes, graças a uma dieta que ele teve que seguir devido a uma gastrite que lhe causava muitas dores fortes. Passou uma noite na UTI, e no outro dia foi transferido para o quarto. Estava tomando nebulizações de 2 em 2 horas com Berotec e sempre adormecia, nas nebulizações. Até que em uma delas, teve várias paradas cardíacas... E se foi.

Não quero culpar ninguém. Deus sabe todas as coisas e eu agradeço a Ele por tudo.

Mas como é a vida, né gente? Nós só temos dimensão nessas horas. É só uma passagem, uma passagem rápida. Não é preciso ficar dando muito valor a dinheiro, ficar se matando aos poucos porquê não vamos levar nada daqui. É preciso aproveitar, não ficar deixando nada para depois. Isso sim. Fazer o que tiver vontade mesmo, dizer o que tem que ser dito e acabou. 

"Há males que vem para o bem", não é verdade? Essa morte do meu avô, me fez enxergar a vida de uma outra maneira e que bom que eu tive oportunidade de enxergá-la assim. A ida de um ente querido, aproxima a morte da gente... Sei lá, traz uma sensação horrível de que a qualquer hora pode acontecer novamente. A morte, era tão distante, que eu quase não contava com ela. Mas ela é real, implacável, leva mesmo e nós? Nós temos que continuar. E como é difícil continuar, a vontade que dá é de ir com eles... Parar por aqui.

Vai em paz Vô Antônio, eu te amo. Vai ser difícil olhar para sua cadeira e vê-la vazia todas as tardes...




Eternas saudades de sua esposa, de seus 12 filhos, 25 netos, 2 bis-netos(a) que estão a caminho e de todos que tiveram a honra de te conhecer um dia.